Sabemos que muitas vezes as palavras substituem as ações físicas e vice-versa. É impossível esperar que as crianças fiquem quietas, imóveis e indiferentes em uma aula de Educação Física, afinal, "o recurso da criança para agir no mundo são as sensações e os movimentos corporais" (FREIRE, 1997, p.31).
Na maioria das vezes, antes de se reunir, por exemplo, em uma rodinha proposta pelo professor para que o mesmo explique como será a aula, é bem provável ver os alunos correndo e sorrindo, reconhecendo o espaço e dispondo seus corpos. E é em momentos assim, de despojamento corporal, que corremos o risco de ter algum acidente em aula. Vira e mexe algum aluno está fazendo alguma coisa diferente da atividade proposta, talvez porque já tenha ultrapassado aquele estágio de desenvolvimento, ou então porque quer se arriscar e desafiar sua própria capacidade comparada a do colega (algo muuuuito comum de acontecer, principalmente entre os menores). Nós, professores, temos que estar bem atentos a esse tipo de comportamento, justamente para evitar que alguém se machuque. Mas o que fazer quando isso é inevitável?!
Primeiramente, precisamos dar uma olhada no ferimento. Ver se de fato a criança se machucou ou se é apenas "manha". Alguns alunos caem porque alguém sem querer esbarrou, mas isso já é motivo para uns abrirem o berreiro! Portanto, em casos como esse, o importante é perguntar onde foi, verificar se houve ou não alguma lesão e oferecer um abraço ou um beijo para passar. Se assim que você der um carinho o aluno confirmar que já passou a dor, podemos então avaliar que foi mais um susto, que sem dúvida, é muito bem curado com uma dose de carinho.
Caso esteja ralado, roxo ou algo do tipo, é preciso lavar, colocar gelo, mas não utilizar medicamentos, a não ser se os pais tenham dado autorização. Não podemos esquecer que há crianças alérgicas a determinados medicamentos, e obviamente, não podemos colocá-las em risco, ainda que para nós aparentemente não tenha problema colocar mercúrio ou mertiolate. Não deixe de também dar um suporte afetivo a esta criança. O carinho sempre é muito bem vindo!
Se a lesão for mais grave, imediatamente leve a criança à secretaria, pois são eles quem entrarão em contato com os reponsáveis.
O mais importante em todos esses casos e níveis de gravidade é manter a calma! Nós, professores, precisamos passar tranquilidade aos alunos. Se a gente se desesperar, é fato que eles também ficarão apavorados! E tenha a certeza: dor e pavor é o tipo de combinação que não cai bem...
Outra coisa importante: quando for levar seu aluno para fazer os primeiros socorros ou para a secretaria, jamais deixe os demais alunos sozinhos, afinal, há o risco de que mais alguém se machuque enquanto você não está junto. Ou providencie alguém para ficar com a turma (o inspetor, por exemplo), ou então faça uma fila e leve todos contigo.
Quando um aluno meu escorregou, caíu sozinho e machucou o queixo, reuni todos os colegas, disse a eles que aquele tipo de acidente poderia acontecer caso eles ficassem fazendo atividades diferentes das quais eu estava proponto e segui com toda a turma para a secretaria. Graças a Deus não foi nada grave, mas a lição foi aprendida por eles. Quando retornei à quadra, todos estavam mais atentos e "dedurando" os coleguinhas que faziam algo arriscado (isso ocorreu em uma turma de 1º ano).
Já disse isso uma vez e repito: não subestime a inteligência de seus alunos. Eles são muito capazes de entender aquilo que a gente explica. É claro que cada fase tem um nível de compreensão mais evoluído, mas eu não vejo problemas em citar situações como essa como exemplos independente da faixa-etária.
Referências:
FREIRE, J.B. Educação de corpo inteiro: teoria e prátiva da Educação Física. São Paulo: Scipione, 1997.
Nenhum comentário:
Postar um comentário