segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Reciclando!

          Quando a gente chega numa escola e não encontra quase nada de material disponível (e em bom estado) para as aula de Educação Física, chega a hora de colocar as nossas cucas maravilhosas para funcionarem! 
           Passei meu domingo inteiro criando brinquedos com materiais recicláveis. Amanhã os levarei para a escola, e depois darei o retorno para vocês se eles foram bem aceitos ou não. Mas uma coisa é certa: quando o professor levar alguma novidade para a aula, a turma fica super curiosa para saber do que se trata. Se ele fizer um suspense básico, o silêncio irá imperar por alguns minutos. rs Além disso, a novidade sempre gera motivação, portanto, a aula flui de forma muito mais agradável, tanto para nós professores quanto para os alunos! Vejam as fotos do que eu preparei utilizando materiais que iriam parar no lixo!

Aqui temos instrumentos musicais: um tambor, feito com latas de leite em pó, e chocalhos feitos com frascos de Yakult. Dentro deles têm grãos de arroz. Também pensei em usar estes chocalhos como halteres. Obviamente eles são leves para isso, mas para o jogo simbólico já é o suficiente!


Fiz dois potes com o resto das garrafas utilizadas para o bilboquê. Eles servirão para guardar tampinhas, que os alunos adoram utilizar para construir casas, castelos etc. Além disso, fiz um telefone usando dois potes de iogurte e barbante.

Este aí é um "cai-não-cai". Fiz os furos usando uma chave de fenda quente, e os palitinhos são de churrasco. Pintei as pontas com esmalte, para que cada um deles tenha uma pontuação diferente. Assim, os estimulo a fazer contas para descobrir quem foi o vencedor. A bolinha foi feita de meia calça.

Este é um binóculo feito de rolo de papel toalha e caixinha de fósforo no meio, para dar distância e assim possibilitar uma visão mais adequada. As lentes foram feitas de papel celofane.

Estes são os bilboquês!
           Espero que estes brinquedos os inspirem a também construir coisas interessantes para seus alunos! Usarei estes materiais com a turma de Educação Infantil!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Algumas pérolas dos alunos...

Trabalhar com crianças pequenas pode até ser desgastante, mas é impossível não dar pelo menos uma boa risada! Vejam algumas "pérolas", ditas principalmente pelos meus alunos da Educação Infantil e do 1º ano... hehe

Professora pergunta: "Qual é o tamanho do seu cachorro?!"
Aluno responde: "40 centavos!"

Professora pergunta: "Qual é o seu nome?!"
Aluna responde: "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10!"
Professora diz: "Muito bem, você sabe contar até 10! Mas qual é seu nome?!"
Aluna diz: ".............." (o silêncio imperou neste momento!)

Professora pergunta: "Como foi o dia das crianças?! Quem ganhou presente?!"
Todos os alunos entram em polvorosa, mas um responde: "Ganhei uma bola de bilicha"
Professora questiona: "Bola de que?! De boliche?!"
Aluno responde: "É, bola de bilicha..."

Alunos pedem: "Professora, vamos brincar de adibrinha?!
Professora (com cara de tacho) pergunta: "Mas o que é adibrinha?! Vocês querem brincar de adivinha?!
Alunos: "Não, tia, é de adibrinha!!!!"
Professora: "E como faz?! Eu não conheço!"
Então os caros alunos começam a fazer dribles... rs Pois é, "adibrinha" é, inexplicavelmente, uma variação da palavra "drible"... Fala sério, é exigir demais da minha capacidade mental! Haja criatividade e imaginação para desvendar os mistérios desses palavreados! rs

Ps: apesar de ser engraçado, é importante que nós, educadores, sempre digamos aos nossos alunos a maneira correta de falar. Não é porque a criança é pequena que nós vamos achar tudo lindo e deixá-los falando errado por aí... Corrija, sem ignorância e com paciência. E não permita que os outros coleguinhas fiquem rindo daquele que errou, afinal, errar é humano!












quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Bullying nas aulas de Educação Física

     Em apenas duas semanas de magistério eu já presenciei algumas situações que sugerem casos de bullying nas aulas de Educação Física. Primeiramente, bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. Este termo é utilizado para indicar casos de ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato. 
     Brigas e implicâncias entre os alunos não são caracterizados como casos de bullying. Sabemos que isso é "comum" entre as crianças, só precisamos estar atentos para que isso realmente não se torne algo fora do controle. Tem gente que leva numa boa, outros que não conseguem abstrair tais gozações. Para ambos os casos, é preciso perceber o quanto isso significa para a alvo das agressões.
     Segundo Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para ser dada como bullying, a agressão física ou moral deve apresentar quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. ''Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele reage ou ignora, desmotivando a ação do autor'', explica a especialista.
     Tendo em vista tais explicações, contarei dois casos:
1º caso: Pedi para os alunos formarem duas filas. Eles se separaram em meninos e meninas, mas a fila das meninas estava muito menor. Daí perguntei se algum menino topava ir para a outra equipe, e prontamente, apenas dois meninos quiseram, enquanto os outros ficaram dizendo "não, não" com toda a convicção e certo grau de "superioridade masculina". Na mesma hora, um dos alunos ficou mexendo com eles e dizendo "mulherzinhas, mulherzinhas". Eles ficaram passados, e imediatamente eu disse: "Pode parar. Fui eu que perguntei quais meninos queriam vir pra cá; se eles vieram é porque são homens o suficiente para saber que não há problema nenhum em se misturar com meninas". Imediatamente, os dois alunos - antes acuados, sorriram e ficaram felizes, enquanto o menino provocador ficou com cara de surpresa ao ouvir minha resposta. Os demais meninos, para "provar a masculinidade", também quiseram mudar de equipes. Mas aí eu não permiti, porque não havia sido algo livre... Nesta situação, não houve caso de bullying. Foi pura implicância, possivelmente graças a toda especulação que vemos sobre homossexualidade na mídia e, quiçá, exemplos de pessoas próximas, como os próprios pais, irmãos, tios etc., que ao invés de lidarem com as diferenças, preferem ser preconceituosos...

2º caso: Em plena aula, no meio de um pique, uma das alunas, bem cabisbaixa, me pede folhas para desenhar. Perguntei o motivo, e ela disse que ninguém nunca quer brincar com ela. Insisti nas perguntas e, sem jeito, a menina me disse que todos comentam que ela tem piolho, por isso nunca se aproximam. Nem na sala de aula ninguém quer sentar perto dela. Então eu disse: "Mas você quer fazer a aula?" Prontamente ela disse que sim! Então eu apitei e disse: "Fulaninha é a nova pegadora!" Ela ficou super feliz, mas na mesma hora a turma retrucou: "Professora, ela é piolhenta, ninguém quer ficar com ela!". Então reuni toda a turma e falei que todos já haviam tido piolho um dia, e que ainda que a colega tivesse piolho (algo que eu não estava vendo), isso não era motivo de ninguém brincar com ela. Todos nós temos defeitos e limitações que precisam ser compreendidas pelos outros. Agora ela ia brincar sim, sendo a pegadora, e se alguém não quisesse fazer a atividade, que então saísse, pois assim sentiriam o quanto é ruim ser rejeitado. Neste caso, considero a ocorrência de bullying, já que quem falou teve a intenção de gozar da cara dela (fizeram isso apontando e rindo), ela é alvo dentro e fora da sala de aula diariamente, a agressão verbal foi em público (no meio dos 35 alunos que compõem a turma) e a menina se portou como concordante à ofensa recebida, já que preferiu se esquivar do que abstrair o que estava sendo dito sobre ela... 

     Uma coisa é certa: infelizmente, implicâncias mil existem durante uma aula de Educação Física. Mas nós, professores, precisamos ficar "de antenas ligadas" para que isso ocorra cada vez menos. Ao surgir algum tipo de situação, intervenha imediatamente, e em hipótese alguma se omita ou ria da piadinha de mau gosto. Precisamos ser os primeiros a dar exemplo, em demonstrar que aquilo não pegou bem, que com certeza a pessoa não gostaria que ocorresse o contrário.
     É necessário identificar os atores do bullying - autores, espectadores e alvos, pois assim as intervenções serão mais específicas. Como já comentei acima, é claro que existem brincadeirinhas e implicâncias entre as crianças, mas é necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão, e geralmente percebemos a diferença a partir das reações que a vítima apresenta: desânimo, exclusão, recuo em todas as situações-problema etc.

Referências:

21 perguntas e respostas sobre bullying. Revista Nova Escola. Disponível em: 
< http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/bullying-escola-494973.shtml>

domingo, 11 de setembro de 2011

Eu não sei na verdade quem eu sou...

     Quem me conhece sabe que eu sou super fã do grupo "O Teatro Mágico". Eles têm músicas lindas, muito reflexivas, que vão ao encontro dos objetivo deste blog: colocar as ideias em movimento! Nesta semana eles lançaram seu terceiro álbum, intitulado "A Sociedade do Espetáculo". Uma das canções tem o nome deste post, e sua história é muito interessante! Vejam:

"Fernando explicita a origem: 'Tentei escrever com teorias de crianças, inspirado numa reportagem sobre os Doutores da Alegria que meu pai me mostrou. Uma criança dizia que um palhaço é um homem todo pintado de piadas’, outra dizia que sonho era uma coisa que ela guardava dentro de um travesseiro. E os doutores diziam que não sabiam se eram médicos, atores, palhaços, ou se eles estavam sendo curados fazendo aquilo. Quem de fato sabe o que é?'."
     Se formos ouvir a canção completa, veremos como as crianças são simples e sábias em descrever as realidades do dia-a-dia! Se você também acredita que seus alunos constroem conhecimento junto contigo, e que "Velhinhos são crianças nascidas faz tempo" e que "Com água e farinha eu colo figurinha e foto em documento", não deixe de ouvir esta canção!



Explicação faixa a faixa de todas as canções do "O Teatro Mágico disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/faixa+a+faixa+exclusivo+do+novo+album+do+teatro+magico/n1597084637920.html 

 Gostou?! Então espalhe esta ideia! Vamos colocá-la em movimento!

Coitado do corpo!

     Segue abaixo um trecho do texto "Coitado do Corpo", de Rubens Alves, para nossa reflexão no que diz respeito à Educação Física Escolar. Veja bem: sabemos que a competição faz parte da cultura esportiva do nosso país, mas o texto que segue tem como objetivo a reflexão do que tem sido (ou não) a aplicação do esporte na escola.
     Como muito bem explica o autor Sávio Assis em seu livro "Reinventando o esporte: possibilidades da prática pedagógica" (Campinas, SP: Autores Associados, 2010), há diferenças entre o esporte na escola e o esporte da escola, e é fundamental que o professor de Educação Física Escolar perceba isso. Boa leitura!

     "[...] O que move o atleta não é o prazer da atividade, em si mesmo. Se assim fosse, ele ficaria feliz em correr, nadar, saltar, sem precisar de comparar-se com outros. Mas depois de correr ele consulta o seu relógio. Está comparando o seu desempenho em relação aos outros. Quando a gente se envolve numa atividade por prazer a gente está brincando. Não olha para o relógio. É o caso das crianças correndo – como potrinhos. Ou na água: como golfinhos. O espaço, representado pela grama, pela água, pelo vazio, é o seu companheiro de brincadeira. A atividade lúdica produz um corpo feliz.
A competição, representada no seu ponto máximo pelas Olimpíadas, é o oposto do brinquedo. Porque ela só acontece quando o corpo é levado ao limite do stress. E o corpo, mais sábio que os atletas, não gosta disso. Ele sabe que é perigoso chegar aos limites. O corpo não gosta de competições e Olimpíadas. Competições e Olimpíadas são situações a que o corpo é submetido ao máximo stress. Ou seja, situação de máximo sofrimento do corpo. O corpo vai contra a vontade. Basta observar a máscara de dor no rosto dos que competem. A competição é uma violência a que o corpo é submetido. A imagem mais terrível que tenho dessa violência é a daquela corredora suíça, ao final de uma maratona, algumas olimpíadas atrás. Chegando ao estádio o corpo dela não aguentou. Os ácidos e a cansaço o transformaram numa massa amorfa assombrosamente feia. Ele não queria continuar; desejava parar, cair. Mas isso lhe era proibido: uma ordem interna lhe dizia: obedeça, continue até o fim. O público parou, perplexo. E ninguém podia ajudá-la. Se alguém o fizesse ela seria desclassificada. O comentarista, comovido, louvava o extraordinário espírito olímpico daquela mulher. Ele não compreendia o horror. De fato, o final do espírito olímpico é o corpo levado aos limites últimos de stress. Aos limites do sofrimento. Como o corpo escultural de Florence Griffith Joyner. Haverá coisa mais anti-corpo, mais anti-vida? A competição não é motivada por amor ao corpo e ao seu prazer.
     Na competição o espaço não é companheiro de brincadeira, é inimigo a ser derrotado. O prazer de quem compete não se encontra na relação corpo-espaço, mas no resultado: quem teve a melhor performance. O objetivo da competição é a comparação. E a comparação é o início da inveja e da infelicidade humana.
     O atletismo não é uma atividade natural. Animais não competem. Nenhum tem interesse em saber qual é o melhor. Eles não se comparam. Animais correm por prazer: cães e cavalos correm e pulam por prazer. Mas quando não estão brincando, isto é, quando não estão envolvidos no prazer da atividade, eles não fazem esforços desnecessários. Os movimentos dos animais são determinados por um estrito senso de economia. Só existe uma situação quando competem: onça e veado, gavião e coelho – quem perde ou morre ou fica com fome. O que não é o caso das pistas de atletismo.
     E me intrigam as razões por que, nas competições, são apenas os músculos que são testados. O corpo não é formado apenas por músculos. O curioso é que quando se fala em “educação física” a imagem que aparece é a de um atleta com short, camiseta e tênis, pronto para alguma atividade que envolva o uso dos músculos. Mas os olhos, os ouvidos, a boca, o nariz, a pele são também parte do físico. Podem também ficar atrofiados como ficam atrofiados os músculos. O corpo atrofiado pela inércia e pelo acúmulo de gordura pode terminar em obesidade, diabetes, colesterol alto e infarto. Mas um corpo de sentidos atrofiados termina numa doença terrível chamada “tédio”. Imagino uma faculdade de educação física que tenha também cursos do tipo “Curso de cheiração avançada I”, “Curso de cheiração avançada II, “Curso de observação de cores”, “Curso de audição de ruídos da natureza”…

(Rubem Alves)
 
Concorda ou sem corda?! Deixe seu comentário! 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Cara feia pra mim... pode realmente ser fome!

     Desconfie daquela criança quitetinha demais na sua aula. Se todo mundo está em polvorosa porque começou a atividade mas algum aluno permanece "voando", olhando para o nada, procure investigar.
     Hoje uma das minhas alunas não quis fazer absolutamente nada. Preferi não pressionar, deixei ela na dela, mas vez enquando eu ia lá e a estimulava a interagir com os demais. A menina só balançava a cabeça dizendo não, e logo se prostrava, praticamente deitando em cima de uma mesa. Perguntei se ela queria conversar, e eu ouvi o "cri-cri-cri" dos grilos em um vácuo total! Passado um tempo, ela virou pra mim e disse que estava passando mal. Perguntei o que ela estava sentindo, mas o silêncio foi a minha resposta. Daí comecei a sugerir locais que poderiam estar doendo, como a cabeça, a barriga, enfim, fui ditando partes do corpo, até que ela disse que era a barriga. Perguntei se ela estava com dor ou se queria vomitar. Ela disse que não estava enjoada e que não queria vomitar. Logo vi que também não queria ir ao banheiro. Então, eis que uma lâmpada se acende em minha mente e eu pergunto: "Você almoçou hoje?" E a resposta foi não!!! Aí perguntei porque ela não havia comido a merenda da escola. O "cri-cri-cri" permaneceu... Silêncio. Nada. Perguntei se estava tudo bem em casa, e nem uma palavrinha foi dita.
     Obviamente a levei direto para a secretaria. Contei o caso para a coordenadora, que repetiu as mesmas perguntas. Ela disse que "se esqueceu" de almoçar. Santo Deus, como pode?! É claro que esse não foi o motivo! E pior que ninguém conseguiu convencê-la de merendar! O máximo foi comer uma banana... Fiquei com o coração na mão. Tenho certeza que alguma coisa muito séria deve estar acontecendo... Como fiquei sentida... Tão pequenina e já carregando esses fardos... Graças a Deus que eu percebi que algo não estava bem. Graças a Deus que não a "obriguei" a fazer aula. Já pensou se ela desmaia?! Mas uma coisa é certa: precisamos estar com as antenas ligadas! Nosso corpo fala, e criança prostrada com certeza indica que algo está fora do lugar... Investigue! Precisamos ser "detetives" em prol dos direitos da criança!

E quando um aluno se machuca durante a aula de Educação Física?!

     Sabemos que muitas vezes as palavras substituem as ações físicas e vice-versa. É impossível esperar que as crianças fiquem quietas, imóveis e indiferentes em uma aula de Educação Física, afinal, "o recurso da criança para agir no mundo são as sensações e os movimentos corporais" (FREIRE, 1997, p.31).
     Na maioria das vezes, antes de se reunir, por exemplo, em uma rodinha proposta pelo professor para que o mesmo explique como será a aula, é bem provável ver os alunos correndo e sorrindo, reconhecendo o espaço e dispondo seus corpos. E é em momentos assim, de despojamento corporal, que corremos o risco de ter algum acidente em aula. Vira e mexe algum aluno está fazendo alguma coisa diferente da atividade proposta, talvez porque já tenha ultrapassado aquele estágio de desenvolvimento, ou então porque quer se arriscar e desafiar sua própria capacidade comparada a do colega (algo muuuuito comum de acontecer, principalmente entre os menores). Nós, professores, temos que estar bem atentos a esse tipo de comportamento, justamente para evitar que alguém se machuque. Mas o que fazer quando isso é inevitável?!
     Primeiramente, precisamos dar uma olhada no ferimento. Ver se de fato a criança se machucou ou se é apenas "manha". Alguns alunos caem porque alguém sem querer esbarrou, mas isso já é motivo para uns abrirem o berreiro! Portanto, em casos como esse, o importante é perguntar onde foi, verificar se houve ou não alguma lesão e oferecer um abraço ou um beijo para passar. Se assim que você der um carinho o aluno confirmar que já passou a dor, podemos então avaliar que foi mais um susto, que sem dúvida, é muito bem curado com uma dose de carinho.
     Caso esteja ralado, roxo ou algo do tipo, é preciso lavar, colocar gelo, mas não utilizar medicamentos, a não ser se os pais tenham dado autorização. Não podemos esquecer que há crianças alérgicas a determinados medicamentos, e obviamente, não podemos colocá-las em risco, ainda que para nós aparentemente não tenha problema colocar mercúrio ou mertiolate. Não deixe de também dar um suporte afetivo a esta criança. O carinho sempre é muito bem vindo!
     Se a lesão for mais grave, imediatamente leve a criança à secretaria, pois são eles quem entrarão em contato com os reponsáveis. 
      O mais importante em todos esses casos e níveis de gravidade é manter a calma! Nós, professores, precisamos passar tranquilidade aos alunos. Se a gente se desesperar, é fato que eles também ficarão apavorados! E tenha a certeza: dor e pavor é o tipo de combinação que não cai bem...
      Outra coisa importante: quando for levar seu aluno para fazer os primeiros socorros ou para a secretaria, jamais deixe os demais alunos sozinhos, afinal, há o risco de que mais alguém se machuque enquanto você não está junto. Ou providencie alguém para ficar com a turma (o inspetor, por exemplo), ou então faça uma fila e leve todos contigo.
     Quando um aluno meu escorregou, caíu sozinho e machucou o queixo, reuni todos os colegas, disse a eles que aquele tipo de acidente poderia acontecer caso eles ficassem fazendo atividades diferentes das quais eu estava proponto e segui com toda a turma para a secretaria. Graças a Deus não foi nada grave, mas a lição foi aprendida por eles. Quando retornei à quadra, todos estavam mais atentos e "dedurando" os coleguinhas que faziam algo arriscado (isso ocorreu em uma turma de 1º ano).
     Já disse isso uma vez e repito: não subestime a inteligência de seus alunos. Eles são muito capazes de entender aquilo que a gente explica. É claro que cada fase tem um nível de compreensão mais evoluído, mas eu não vejo problemas em citar situações como essa como exemplos independente da faixa-etária.

Referências:

FREIRE, J.B. Educação de corpo inteiro: teoria e prátiva da Educação Física. São Paulo: Scipione, 1997.





terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Pensar é um ato. Sentir é um fato".

Acabo de ler esta frase de Clarice Lispector e em cima dela elaborei a minha reflexão de hoje. Admito que chorei a tarde toda. As coisas estão sendo muito mais difíceis do que imaginei. Minhas turmas são enormes, o que já causa um transtorno enorme. É um sacrifício fazê-los prestar atenção no que quero falar, mas por alguns instantes, eu consigo! Eles implicam uns com os outros o tempo inteiro, e obviamente, acabam se machucando. E nem adianta vir com aquele sermão de que não se pode fazer isso ou aquilo porque senão irão se machucar, pois infelizmente, este discurso entra em um ouvido e sai no outro de 80% dos alunos. Existem outros 20% que te acham bonita, curtem sua aula, prestam atenção, adoram as atividades propostas, ficam tristes quando a aula acaba etc. Não consigo (e espero nunca conseguir!) abstrair os desinteressados e só focar nos que realmente querem alguma coisa. Isso vai contra os meus princípios. Não é justo nem com os alunos nem comigo mesma. Mas confesso: é desanimador... No entanto, percebi que a "culpa" do mau comportamento não é deles. Infelizmente, vivemos em uma sociedade conturbada, com famílias desestruturadas. Nossos alunos são reflexos desta triste realidade. Senti na pele, literalmente, a carência de afeto de muitos alunos. Sabe aquele tipo de abraço que a gente dá em alguém que amamos muito e que não vemos a muito tempo?! Pois bem, hoje recebi uns abraços desses... Tive a sensação de que cada um que me abraçava (e percebo que os mais carentes são os meninos), tentava encontrar nos meus braços aquilo que eles não conseguem achar em casa. Isso me deixou tão triste... Mas ao mesmo tempo, me fez ver o quanto eu posso ser importante, nem que seja para dar apenas um forte abraço, que é tão fundamental na vida de qualquer ser humano! Ao ler esta frase de Clarice Lispector, de que pensar é um ato e sentir é um fato, veio ao meu coração a alternativa de na próxima aula tentar ser o mais amorosa possível!  Dispor-me de corpo e alma para abraçar, acolher, ouvir, enfim, dar sentido àquilo que eles fazem de forma muito mais forte do que tenho feito até agora. É fato que não existe uma "receita de bolo" para alcançar uma aula de sucesso. Cada grupo de alunos possui suas particularidades, e é no dia-a-dia que iremos conquistá-los. É difícil pra caramba, mas não podemos desistir! Cheguei em casa destruída, mas concluí que se quero que eles pensem corporalmente, também preciso fazê-los sentir que o ato educativo é um ato de amor...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O que é melhor: 1º ou 2º segmento do Ensino Fundamental? Dicas práticas!

Esta é a pergunta que não quer calar! Todos os professores que ainda aguardam a convocação ficam com esta dúvida. Eu só estou lecionando para os pequenos, da Educação Infantil ao 3º ano, mas já deu para perceber que quanto mais velhos, mais é difícil agradá-los e mais "rebeldes" eles são. No entanto, cada faixa-etária tem suas particularidades que as tornam desafiadoras e interessantes, e é claro, cada professor também possui seu próprio perfil, o que faz com que cada um se enquadre melhor com um determinado nível de ensino. Portanto, não há um nível que seja melhor, mas sim professores que possuem maiores afinidades com uma determinada faixa-etária! O que eu, em apenas uma semana de experiência posso lhes afirmar é:

*No 1º dia, reuni todos em um grande círculo e pedi que eles falassem o próprio nome e uma coisa de que gostassem. Foi bom para nos conhecermos. Com apenas uma palavra já é fácil identificar muitas características dos alunos. Vale a pena fazer! Funcionou com todas as séries, até com os da EI!

* Alunos da E.I. e 1º ano adoram brinquedos cantados! Não privem seus alunos de começar e finalizar uma aula cantando com eles! E estejam atentos às variações que as próprias crianças conhecem. Assim você valoriza o conhecimento que elas já possuem (eles se sentem o máximo quando usamos suas ideias!) e também aprende novas canções.

* O comando "Atenção, concentração, a ordem é, prestar atenção!" (com 3 palmas após cada comando) foi muitoooooooo útil em todas as aulas que ministrei! Funcionou para a E.I., 1º e 2º anos. Só não testei ainda para as turmas de 3º ano. Eles adoraram, bateram as palmas junto comigo, e o melhor: os próprios alunos do 2º ano puxaram a musiquinha quando viram os colegas fazendo bagunça! Como é bom quando os alunos entendem e colaboram! rs Pena que nem sempre isso acontece... hehe

* Não demore nas explicações. A concentração deles é muito pequena! Se demorarmos muito, eles ficarão dispersos, não entenderão as atividades e vão, fatalmente, bagunçar, correr, chorar... Passei por isso no 1º dia! Uffa, um sufocooo! rs 

* Seja firme, ainda que perca boa parte da sua aula chamando a atenção deles, pois eles vão querer te testar. No 1º dia de aula tudo funcionou direitinho com a turma de E.I. Em seguida, metade do que planejei para o 1º ano foi feita. Quando fui para o 2º ano... De 4 atividades, muito mal realizei uma! Todo o resto do tempo foi chamando atenção. Admito que saí meio "frustrada", mas vi que ou eu fazia isso, ou eles iriam pintar o sete comigo... Preferi bancar "a chata" no primeiro dia do que ser a boazinha que permite tudo... O importante foi que todos saíram da aula cientes de que foram eles mesmos quem gastaram o tempo precioso da aula bagunçando. Me prometeram que na próxima aula estarão melhores. Assim espero! rs Tenho fé! rs 

É claro que a criança vive em movimento. É impossível (e errado!) querer deixá-la como uma múmia durante a aula. No entanto, é preciso se manter firme (o que é diferente de ser autoritário), pois senão a nossa aula fica banalizada. Deixei claro desde o princípio que aquele momento é de aula, de conteúdo tão rico quanto o que eles aprendem dentro de sala, e que inclusive, a quadra/pátio também é uma sala de aula, embora seja diferente do que eles estão acostumados. É fato que para 99% dos alunos, a Educação Física é sinônimo de futebol. Eles vão pedir isso muitas vezes. Mas nós, como educadores do corpo e da mente, precisamos deixar claro que também temos conteúdos a passar, especificidades a cumprir!

"Corpo e mente devem ser entendidos como componentes que integram um único organismo. Ambos devem ter assento na escola, não um (a mente) para aprender e o outro (o corpo) para transportar, mas ambos para se emancipar". (J.B.Freire, 1997, p.13)

E você, tem algo a contribuir?! Deixe seu comentário!



1º dia de aula: um grande desafio!

O primeiro dia como professora de Educação Física é sempre uma grande novidade. Admito que "apavora" um pouco. Bate um certo desespero ver cerca de 30 crianças cheias de ânimo para fazer sua aula, ou melhor, para jogar futebol. É fato que alguém (pelo menos uns 70% da turma, independente do gênero e da idade) perguntarão sobre este esporte. Há uma decepção enorme quando a gente diz que a aula não se restringe a isso, mas com o desenrolar das atividades diversificadas, eles percebem que há outras coisas bacanas a se fazer que não seja apenas praticar o esporte mais querido do Brasil. A solução é mostrar aos alunos que existem muitas outras atividades interessantes a experimentar, e que até mesmo para se jogar futebol é necessário treinar as habilidades específicas. Foi assim que eu consegui convencer os meus a esquecer a bola e então iniciar uma aula para diagnosticar como estavam suas habilidades básicas. É importante que desde o primeiro dia isso fique claro: eles teimarão querendo futebol, mas você precisa explicar, ainda que mil vezes, que a Educação Física vai além da prática esportiva...

Nós, professores, aprendemos muito, principalmente com as próprias crianças. De maneira alguma subestime a inteligência de seus alunos. Eles são extremamente espertos e com certeza contribuirão bastante para o próprio crescimento e para o nosso também! Como dizia Paulo Freire, "Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso, aprendemos sempre". Portanto, que possamos fazer da nossa quadra - sala de aula tão importante quanto as demais, um espaço rico para a aprendizagem dos nossos alunos e para nós mesmos! E que possamos fazer deste blog um espaço de troca constante de experiências! Precisamos colocar nossas ideias em movimento! Só assim conseguiremos alcançar avanços significativos na qualidade do ensino!